Travessia do Parque Nacional da Serra do Itajaí

Por Fabiana Dallacorte

A caminhada ocorreu no dia 18 de junho de 2011. A Travessia Nascentes foi realizada por um grupo de 10 pessoas para atividades físicas e contemplação da natureza. Foi organizada pela Bio Teia Estudos Ambientais e pela entidade Amigos do Caminho, sem qualquer fim lucrativo, apenas como forma de prestigiar os caminhos em ambientes naturais na região do Vale do Itajaí.

A caminhada se iniciou exatamente as 8 da manhã no local chamado Sub-sede na Travessia Nascentes que encontra-se determinada pelo Plano de Manejo do PNSI dentro do Segmento Nascentes inserido na Zona de Uso Extensivo do referido Parque Nacional. Todas as pessoas participantes encontravam-se munidas de equipamentos próprios para caminhadas longas em ambiente natural. As instruções de como se portar em ambientes naturais foi repassado anteriormente via e-mail para os participantes da caminhada.

image001
O trajeto atravessa muitos cursos d’água.

 

A parada para um lanche na região no Mono foi realizada as 10 horas, durante 15 minutos. Neste local conversamos sobre a dificuldade que deve ser a fiscalização de uma área de quase 57000 ha contando com poucos servidores. Chegou-se a conclusão que grupos organizados de caminhadas podem ser bons inibidores dos delitos ambientais, pois afasta infratores simplesmente pela presença de grandes grupos. Porém um fato que veio a tona durante estas primeiras duas horas de caminhada foi a questão de que os caminhos precisam ser mantidos como forma de facilitar a passagem.

image002
Na chegada todos estavam exaustos, mas recompensados.

O almoço realizou-se às 13 horas  no meio do caminho entre o Mono e a Terceira Vargem, pelo menos 2 km antes da passagem para o vale do ribeirão Garcia. Ambiente rico por florestas ainda possivelmente primárias e de exuberante flora. Chamou a atenção dos presentes o tamanho das árvores e a densidade florestal e a beleza dos recursos hídricos. Já que falamos em recursos hídricos, cabe salientar algumas dificuldades encontradas pelos presentes em atravessar os sete ribeirões que cruzam o caminho ao longo do trajeto, porém em nenhum momento se considerou como uma transposição impossível de ser alcançada.

image003
Floresta do PNSI, entre o Mono e Terceira Vargem.

Às 15 horas a Terceira Vargem foi alcançada e o impacto visual e até emocional foi grande, pois onde antes havia uma casa bem conservada utilizada para a pesquisa científica, hoje é uma floresta em recuperação natural, ainda capoeira. Importante esta recuperação, porém quem conheceu a área antes das represálias da população “contra PNSI” e saber da importância da área para as pesquisas científicas, choca-se a perceber que hoje não há mais possibilidades de desenvolver pesquisas na área devido a falta de suporte para pesquisadores.

image004
Na chegada todos estavam exaustos, mas recompensados.

A estadia na Terceira Vargem foi rápida, pois ainda era necessário pegar a Trilha da Terceira para chegar a Sede antes do anoitecer. Foi unânime a percepção do grupo quanto a regularidade da trilha, pois até o presente momento, a caminhada havia sido de “altos e baixos” por todo o caminho. Em alguns pontos da trilha algumas dificuldades foram relatadas, principalmente no que diz respeito ao ponto em que a trilha margeia a montanha e com o solo seco as pedras soltas denotam uma instabilidade do terreno muito grande. Foi relatado neste ponto poderia haver placas indicando um grau de periculosidade. Outro ponto discutido por todos foi a presença maciça de Pinus no ponto chamado vulgarmente por “Mirante da Terceira”. Mesmo sem muito conhecimento sobre os efeitos negativos da espécie sobre as espécies nativas, os presentes relataram a desconformidade dos Pinus com a paisagem.

image005
Uma caminhada que exige algum preparo e experiência, mas o fundamental é a disposição. E a comunhão com a natureza.

A chegada na Sede foi exatamente às 17 horas  e foi um colírio para os olhos dos presentes, pois a chegada na região possibilita uma visão ampla do Vale. Depois dos contratempos resolvidos a equipe de caminhada adentrou a Van e se direcionou ao Rancho do Willy para se alimentar de uma comida quente e saborosa. É iniciativa deste grupo de caminhada de fomentar o desenvolvimento das comunidades inseridas no contexto do caminho realizado, fazendo com que todos ganhem com o processo e saiam satisfeitos com a experiência vivida.

O grupo agradece a gerência do PNSI pelo apoio e já anuncia uma próxima caminhada, com data a ser definida, com o destino ao Morro do Sapo. Seriam dois dias de atividades, sendo um sábado com uma caminhada nas lagoas da Sede e um piquenique no local de gramados na beira do rio; e um domingo com a subida do Morro do Sapo no período matutino.

 

 

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *


*