Biologia reprodutiva de anfíbios anuros

Reproductive Modes in Frogs and Their Unexpected Diversity in the Atlantic Forest of Brazil. CÉLIO F. B. HADDAD AND CYNTHIA P. A. PRADO.

Talvez o melhor artigo de Biologia Reprodutiva de Anuros dos últimos anos. Haddad e Prado revisam o estudo de Duellman e Trueb (1986) e acrescem 10 novos modos reprodutivos para as espécies de anuros, sendo 07 novos modos reprodutivos para a Floresta Atlântica.

Para baixar o artigo: Haddad & Prado, 2005

Grupo Técnico e Científico de análise de risco da introdução da rã-touro-gigante no Brasil

Durante o IX Congresso Latinoamericano de Herpetologia, ocorrido em Curitiba no estado do Paraná, um grupo de seis pesquisadores de graduação e pós graduação reuniram-se para delinear e planejar o  direcionamento dos estudos da avaliação do potencial de invasão e dano a espécies nativas e fundamentar o estabelecimento de prioridades para ações de controle ou de prevenção da introdução da Lithobates catesbeianus (rã-touro-gigante) no Brasil.

Hoje muitos dados sobre a dieta da espécie já são conhecidos pela ciência no Brasil e no mundo. Alguns estudos relacionam a distribuição espacial e temporal da espécie e por fim a distribuição geográfica e dados sobre a genética das populações estabelecidas ainda é muito incipiente. O presente grupo teve como objetivos primordiais os seguintes itens de ação:

○        Direcionar estudos voltados para: a)Identificação e levantamento de dados sobre os ranários, associação/encontro de ranicultores;  b) Descobrir o que ficou decidido no encontro em Brasília em 2003; c) Descobrir se o padrão reprodutivo é o mesmo em todo o Brasil (fenologia), através de trabalhos que já temos publicados, alguns em andamento, e análises de histologia de gônadas; d)Fazer histologia de ossos, para descobrir através dos anéis de crescimento (legs) a estrutura etária da população, para comparar entre os estados com pesquisadores envolvidos.

○        Documentar em forma de artigo científico uma revisão sobre os estudos sobre Lithobates catesbeianus.

○        Confeccionar um documento técnico a ser validado por pesquisadores, instituições públicas e privadas que legislam sobre o assunto e instituições de ensino.

Os itens de ação relacionados na presente reunião condizem com o objetivo geral do grupo, que seria definido por:

 

  • Avaliar o potencial de invasão e dano a espécies nativas a partir de dados já existentes e fundamentar o estabelecimento de prioridades para ações de controle ou de prevenção da introdução de Lithobates catesbeianus no Brasil.

Desta forma, o grupo assim definido e com seus objetivos estratégicos traçados um canal de comunicação foi criado para poder atender aos assuntos relacionados e as atividades a serem executadas. Foram definidos dois encontros presenciais no município de Blumenau, estado de Santa Catarina, para realizar o fechamento do documento e também para apresentar o documento finalizado para as instituições e pesquisadores que irão avaliar o presente documento.

A Bio Teia Estudos Ambientais centralizou as reuniões no município de Blumenau para poder auxiliar com a busca de recursos para poder realizar as atividades inerentes aos objetivos do presente grupo. São participantes do grupo os seguintes pesquisadores:

Fabiana Dallacorte

Bióloga, Ma Engenharia Ambiental - Coordenadora de Estudos sobre Biodiversidade da Bio Teia Estudos Ambientais Ltda

Emanuel Teixeira da Silva

Biólogo, M. Sc. Biologia Animal - Professor dos cursos de Licenciatura em Ciências Biológicas e Bacharelado em Engenharia Ambiental do Centro Universitário de Caratinga (UNEC), Caratinga, MG

Peterson Trevisan Leivas

Biólogo, Msc. Ecologia e Conservação, Doutorando em Ecologia e Conservação - Programa de Pós-Graduação em Ecologia e Conservação – UFPR

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Lithobates Catesbeianus predando um anuro nativo na Zona de Amortecimento

do Parque Nacional da Serra do Itajaí, Blumenau – SC.

Plano de Manejo Chácara Edith

No dia 21 de junho de 2011 foi enviado para aprovação o Plano de Manejo da RPPN Chácara Edith. É um projeto elaborado pela RPPN Catarinense a partir do incentivo da Aliança para a Conservação da Mata Atlântica que reúne Organizações Não Governamentais nacionais e internacionais com o apoio da Prefeitura Municipal de Brusque e da Universidade Regional de Blumenau (FURB). A bióloga, Ma. em Engenharia Ambiental, foi a coordenadora desse projeto. A Bio Teia participou oficialmente através do publicitário Rui Fontoura, que realizou o design e a produção gráfica do resumo executivo.

Este projeto foi construído ao longo de mais de dois anos, e uma das principais características do trabalho foi a acurácia das atividades de campo, buscando levantar o máximo de dados para a compreensão de suas relações.

Primou-se neste Plano de Manejo na caracterização dos entes taxonômicos ocorrentes na área da RPPN para determinar os conflitos existentes e que ameaçam a integridade de sua biota.

Os grupos faunísticos, herpetofauna e ictiofauna foram amostrados através de avaliação ecológica rápida, além de levantamentos florísticos e estrutura vegetacional. Este levantamento da flora foi realizado em um transecto histórico onde foram realizados os primeiros estudos da Flora Catarinense. Estes estudos possibilitaram um entendimento aprimorado sobre a dinâmica estrutural da floresta e da composição da biota local. Aos estudos da avifauna e mastofauna foram compilados os trabalhos científicos já realizados na área há mais de cinco anos.

O zoneamento da RPPN Chácara Edith foi realizado através de geoprocessamento, e o planejamento elaborado com a participação dos proprietários. Isso é importante para que o Manejo seja um produto concreto e perpetuamente útil.

No momento o Plano encontra-se tramitando no Ministério do Meio Ambiente e no Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), obtendo as aprovações necessárias para sua publicação no Diário Oficial da União.

 

Travessia do Parque Nacional da Serra do Itajaí

Por Fabiana Dallacorte

A caminhada ocorreu no dia 18 de junho de 2011. A Travessia Nascentes foi realizada por um grupo de 10 pessoas para atividades físicas e contemplação da natureza. Foi organizada pela Bio Teia Estudos Ambientais e pela entidade Amigos do Caminho, sem qualquer fim lucrativo, apenas como forma de prestigiar os caminhos em ambientes naturais na região do Vale do Itajaí.

A caminhada se iniciou exatamente as 8 da manhã no local chamado Sub-sede na Travessia Nascentes que encontra-se determinada pelo Plano de Manejo do PNSI dentro do Segmento Nascentes inserido na Zona de Uso Extensivo do referido Parque Nacional. Todas as pessoas participantes encontravam-se munidas de equipamentos próprios para caminhadas longas em ambiente natural. As instruções de como se portar em ambientes naturais foi repassado anteriormente via e-mail para os participantes da caminhada.

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O trajeto atravessa muitos cursos d’água.

 

A parada para um lanche na região no Mono foi realizada as 10 horas, durante 15 minutos. Neste local conversamos sobre a dificuldade que deve ser a fiscalização de uma área de quase 57000 ha contando com poucos servidores. Chegou-se a conclusão que grupos organizados de caminhadas podem ser bons inibidores dos delitos ambientais, pois afasta infratores simplesmente pela presença de grandes grupos. Porém um fato que veio a tona durante estas primeiras duas horas de caminhada foi a questão de que os caminhos precisam ser mantidos como forma de facilitar a passagem.

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Na chegada todos estavam exaustos, mas recompensados.

O almoço realizou-se às 13 horas  no meio do caminho entre o Mono e a Terceira Vargem, pelo menos 2 km antes da passagem para o vale do ribeirão Garcia. Ambiente rico por florestas ainda possivelmente primárias e de exuberante flora. Chamou a atenção dos presentes o tamanho das árvores e a densidade florestal e a beleza dos recursos hídricos. Já que falamos em recursos hídricos, cabe salientar algumas dificuldades encontradas pelos presentes em atravessar os sete ribeirões que cruzam o caminho ao longo do trajeto, porém em nenhum momento se considerou como uma transposição impossível de ser alcançada.

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Floresta do PNSI, entre o Mono e Terceira Vargem.

Às 15 horas a Terceira Vargem foi alcançada e o impacto visual e até emocional foi grande, pois onde antes havia uma casa bem conservada utilizada para a pesquisa científica, hoje é uma floresta em recuperação natural, ainda capoeira. Importante esta recuperação, porém quem conheceu a área antes das represálias da população “contra PNSI” e saber da importância da área para as pesquisas científicas, choca-se a perceber que hoje não há mais possibilidades de desenvolver pesquisas na área devido a falta de suporte para pesquisadores.

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Na chegada todos estavam exaustos, mas recompensados.

A estadia na Terceira Vargem foi rápida, pois ainda era necessário pegar a Trilha da Terceira para chegar a Sede antes do anoitecer. Foi unânime a percepção do grupo quanto a regularidade da trilha, pois até o presente momento, a caminhada havia sido de “altos e baixos” por todo o caminho. Em alguns pontos da trilha algumas dificuldades foram relatadas, principalmente no que diz respeito ao ponto em que a trilha margeia a montanha e com o solo seco as pedras soltas denotam uma instabilidade do terreno muito grande. Foi relatado neste ponto poderia haver placas indicando um grau de periculosidade. Outro ponto discutido por todos foi a presença maciça de Pinus no ponto chamado vulgarmente por “Mirante da Terceira”. Mesmo sem muito conhecimento sobre os efeitos negativos da espécie sobre as espécies nativas, os presentes relataram a desconformidade dos Pinus com a paisagem.

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Uma caminhada que exige algum preparo e experiência, mas o fundamental é a disposição. E a comunhão com a natureza.

A chegada na Sede foi exatamente às 17 horas  e foi um colírio para os olhos dos presentes, pois a chegada na região possibilita uma visão ampla do Vale. Depois dos contratempos resolvidos a equipe de caminhada adentrou a Van e se direcionou ao Rancho do Willy para se alimentar de uma comida quente e saborosa. É iniciativa deste grupo de caminhada de fomentar o desenvolvimento das comunidades inseridas no contexto do caminho realizado, fazendo com que todos ganhem com o processo e saiam satisfeitos com a experiência vivida.

O grupo agradece a gerência do PNSI pelo apoio e já anuncia uma próxima caminhada, com data a ser definida, com o destino ao Morro do Sapo. Seriam dois dias de atividades, sendo um sábado com uma caminhada nas lagoas da Sede e um piquenique no local de gramados na beira do rio; e um domingo com a subida do Morro do Sapo no período matutino.

 

 

O que pode ser feito?

As coisas tornam-se mais claras quando se tem uma noção bem exata do espaço que ocupamos e da nossa capacidade de ação. Então, o próximo passo depois de ter consciência sobre o ambiente, é pensar em formas de relacionar-se com o meio a nossa volta de uma maneira otimizada.

É uma questão de escolha. Ou melhor, das escolhas que fazemos. A cada dia mais pessoas começam a tomar atitudes e a pensar de uma forma mais ampla sobre suas opções e sobre a forma como fazem as coisas e vivem a vida. Separar o lixo, reduzir desperdícios, escolher produtos e serviços de empresas que demonstram preocupação ambiental e responsabilidade social são alguns dos comportamentos que estão sendo praticados por uma parcela cada vez mais importante da população.

Essas escolhas e esses novos comportamentos refletem-se nas ações dos governos, que demonstram dar cada vez mais importância à regulação ambiental. Isso decorre também da constatação de precisamos proteger o futuro e as próximas gerações e, em tese, é isso que um governo deve fazer.

Ao mesmo tempo, empresas têm direcionado suas estratégias de forma a levar essas questões em consideração, aprendendo a lucrar sem piorar os diversos ambientes em que atuam. São iniciativas que vão desde a instalação de fábricas respeitando peculiaridades das sociedades e comunidades onde estão inseridas, passando pela responsabilidade pelos resíduos e emissões dos seus processos até chegar ao apoio a pesquisas e ações para conhecimento e proteção de lugares ameaçados ou intocados.

É uma responsabilidade maior do que simplesmente criar e entregar produtos e serviços com qualidade. Envolve pensar não apenas no custo e nos ganhos puramente econômicos, financeiros, mas também nas relações e na geração de lucros sociais e ambientais. E claro, envolve seguir as regras cada vez mais restritivas impostas pelos governos, no que tange à obtenção de licenças e permissões para operar.

E esses novos desafios vêm sendo encarados e vencidos com sucesso por muitas empresas, dos mais diversos setores, de todos os portes, em todo o mundo.

Mas definitivamente, não é fácil.

 

Você já percebeu onde está agora?

Olhe a sua volta.

O que você vê?

Onde você está?

Onde você vive?

Estamos falando de ambiente. A gente entende o ambiente como tudo o que nos envolve. Pense nisso por um instante. Onde você está agora? Como está lendo esse texto? Você está dentro de uma edificação, dentro de uma construção humana?  Como são os móveis? Como estão o barulho, as cores, os cheiros? E a rua, como é? E o bairro, a cidade? Como você se desloca? O que você vê por aí? Sua cidade é bonita? Como é a região?

Pensar em ambiente é ir criando uma visão bem clara sobre onde estamos. E compreender isso em uma perspectiva bem ampla, que leve em conta tanto o nosso espaço de operação individual, até nosso lugar no planeta. Veremos que em cada estágio desse “zoom” estamos sendo afetados pelo que está a nossa volta. As outras pessoas, o clima, o relevo, a situação política e econômica, tudo isso faz parte do ambiente. Em último caso, só podemos fazer certas coisas se o ambiente permitir.

Mas se o ambiente é o conjunto de condições e características que influenciam nossas ações e nossa vidas, também é passível de sofrer nossa interferência.

E na verdade, fazemos isso o tempo todo. Pintamos paredes, mudamos móveis de lugar, compramos quadros novos e ouvimos música. Construímos casas, prédios, ruas e estradas. Nos movemos, ampliamos nossos espaços. Modificamos paisagens. Represamos rios, cortamos árvores, perfuramos morros e transformamos recursos do planeta em construções, pontes, carros, geladeiras e computadores. É um jogo de satisfazer necessidades, e desde que existe a humanidade existe a capacidade de modificar o ambiente para torná-lo mais aprazível, para que seja mais seguro e mais prático.

No entanto, essa capacidade e essa característica humana adquiriram tal proporção, que chegamos a um ponto em que precisamos compreender melhor o impacto da nossa interferência no ambiente. A soma de nossas intervenções é tanta que tem afetado o planeta como um todo. E aí definir o que será mais seguro, mas prático e mais confortável deixa de ser uma questão simples.

 

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